Carlos Sarno
Jornalista ,publicitário, Diretor da Engenhonovo Comunicação.
sarno@engenhonovo.com.br
Marcos Uzel elaborou um estudo sobre o Prêmio Braskem de Teatro, antigo Prêmio Bahia Aplaude, projeto em que a agência Engenhonovo participou desde sua criação.
Este livro, não só é importante como levantamento histórico do teatro baiano, como oferece de bandeja uma boa oportunidade para discutir a ponte entre cultura e empresa.
Na verdade, esse prêmio, é um case de sucesso de público e de crítica. Faz o reconhecimento e a celebração do teatro baiano e agrega inestimável valor à imagem da Braskem.
Somos um Estado pobre, lotado de problemas sociais, mas orgulhoso da cultura e da arte que produz, cultura que, quase sempre é vista como coadjuvante, peça secundária na nossa engrenagem de desenvolvimento.
Será que, de fato, vislumbramos o Jorge Amado ou Carybé como grandes empreendedores e fomentadores do mito Bahia?
Não é notável que a província da Bahia, sem contar com a mídia formadora de opinião e dos produtos culturais do país, se mantenha como referência obrigatória no mercado nacional.
O destaque para a cultura não traduz favor ou paternalismo; está muito mais além do que democratizar e incentivar. No caso do nosso Estado, constitui reserva estratégica na construção de um imaginário que representa uma das marcas mais bem-sucedidas do país.
Esse, penso, tem de ser o entendimento do governo e das empresas que atuam na Bahia.
A Bahia é um estado de espírito.
Para quem ainda não sabe, o Dicionário de Baianês, do mestre Nivaldo Lariú, que ronda agora os 400 mil exemplares vendidos, foi recusado por algumas das mais badaladas empresas do nosso mercado, antes de ser lançado pela Engenhonovo e pela Bigraf, em 1991.
É por essas e outras que o Prêmio Braskem de Teatro é também um prêmio à Braskem. Um exemplo que deve ser seguido, por recomendação técnica, como investimento que traz retorno e ajuda o mercado baiano.
A cultura não quer ser vista apenas como cortesia.